Santos pode perder pontos por transfer bans? Entenda as regras da Fifa 26
O Santos enfrenta dificuldades financeiras e acumula sanções da Fifa por dívidas relacionadas a contratações e pagamentos a profissionais do futebol. O clube tem sete transfer bans registrados no sistema da entidade, situação que preocupa torcedores e levanta dúvidas sobre a possibilidade de punições mais graves, como a perda de pontos no Campeonato Brasileiro.
Três das sanções estão relacionadas a débitos que o Peixe já quitou. A diretoria aguarda a retirada dessas restrições nos próximos dias, mas ainda existem quatro condenações em aberto, envolvendo o técnico Pedro Caixinha e integrantes de sua comissão técnica. Além disso, novas punições podem ser registradas, incluindo uma cobrança de aproximadamente R$ 2,2 milhões relacionada à contratação do atacante Yusupha Njie, junto ao Al-Markhiya, do Catar.
Apesar do cenário financeiro delicado, o acúmulo de transfer bans não provoca automaticamente a perda de pontos. A aplicação de penalidades mais severas depende das regras disciplinares da Fifa e das circunstâncias de cada processo.
O que são os transfer bans aplicados ao Santos?
O transfer ban é uma sanção que impede um clube de registrar novos jogadores durante determinado período. A punição costuma ser aplicada pela Fifa em casos de dívidas não quitadas, como valores devidos a outros clubes, atletas, treinadores ou integrantes de comissões técnicas.
No caso do Santos, as restrições estão relacionadas a obrigações financeiras que não foram cumpridas nos prazos estabelecidos. Enquanto as pendências não forem resolvidas e as sanções retiradas, o clube pode enfrentar dificuldades para registrar reforços.
O pagamento de uma dívida, entretanto, não significa necessariamente que a restrição desapareça de forma imediata do sistema. É preciso aguardar o processamento da quitação e a atualização correspondente pela entidade responsável.
O Peixe já resolveu três dos débitos que motivaram as punições atuais e espera a retirada dessas sanções. Mesmo com esse avanço, quatro condenações permanecem em aberto, o que mantém a situação financeira e esportiva do clube sob atenção.
Santos pode perder pontos no Campeonato Brasileiro?
A principal dúvida entre os torcedores é se a quantidade de transfer bans acumulados pode resultar na perda de pontos no Brasileirão. Segundo especialistas em direito desportivo ouvidos sobre o tema, a aplicação dessa penalidade é possível em determinadas circunstâncias, mas não ocorre de maneira automática.
O advogado André Oliveira, mestre em direito desportivo internacional pelo Instituto Superior de Derecho y Economía de Madrid, explica que o artigo 21 D do Código Disciplinar da Fifa prevê a possibilidade de sanções mais rigorosas em situações de reincidência e persistência no descumprimento das decisões.
Isso pode ocorrer quando um clube recebe uma proibição de contratar, mas continua sem pagar a dívida que originou a punição, mesmo depois de cumprir três janelas de transferências sem poder registrar atletas.
No cenário atual, essa possibilidade não significa que o Santos perderá pontos imediatamente. Conforme a análise apresentada pelo especialista, uma eventual escalada de punições por esse mecanismo só poderia ocorrer em 2028, considerando o prazo necessário para o cumprimento das etapas previstas.
Também não existe uma tabela automática que determine a perda de pontos após um número específico de transfer bans. A Fifa avalia as circunstâncias do caso e pode estabelecer uma sanção mais rigorosa conforme o entendimento de seus órgãos competentes.
Por que o número de transfer bans não determina a punição?
O acúmulo de sanções chama a atenção, mas a quantidade de restrições, isoladamente, não define qual penalidade será aplicada ao clube. De acordo com André Oliveira, a decisão sobre medidas mais severas depende da avaliação da Fifa, que possui margem para determinar a consequência disciplinar considerada adequada.
Em outras palavras, ter três, quatro ou sete transfer bans não significa que um clube perderá pontos automaticamente. É necessário observar o fundamento de cada processo, as decisões já emitidas e o comportamento da instituição diante das obrigações estabelecidas.
Essa diferença é importante para compreender a situação do Santos. Embora o número de punições indique a existência de problemas financeiros relevantes, não é correto concluir que o clube será penalizado esportivamente apenas por acumular restrições no sistema da entidade.
A possibilidade de uma sanção mais grave existe, mas depende dos critérios aplicáveis e da análise individual de cada caso.
Caso do São Paulo mostra que a perda de pontos é possível
Um exemplo recente ajuda a entender por que os torcedores acompanham o assunto com preocupação. A Fifa determinou que o São Paulo poderá perder pontos no Campeonato Brasileiro caso não quite, dentro do prazo de 60 dias, uma dívida com o empresário do meio-campista Giuliano Galoppo.
Nesse episódio, a medida foi estabelecida após uma solicitação do agente envolvido na cobrança. O caso demonstra que a perda de pontos pode integrar as consequências de um processo relacionado a débitos não pagos, mas não significa que a mesma decisão será aplicada automaticamente ao Santos.
Cada situação possui particularidades jurídicas e processuais. Por isso, a existência de uma punição contra outro clube serve como referência para compreender os mecanismos disciplinares, mas não permite prever, por si só, o desfecho dos processos do Peixe.
O que aconteceu com o Cruzeiro em 2020?
Outro caso frequentemente lembrado é o do Cruzeiro, que começou a disputar a Série B do Campeonato Brasileiro de 2020 com uma punição de seis pontos determinada pela Fifa. A sanção estava relacionada a uma dívida não paga com um clube árabe.
Entretanto, a legislação aplicável naquele período era diferente da atual. Segundo Rodrigo Marrubia, advogado especialista em direito desportivo do Carlezzo Advogados, a regra que estabelece o transfer ban como primeira punição ainda não estava em vigor quando a penalidade contra o Cruzeiro foi aplicada.
Essa mudança é relevante para analisar o cenário do Santos. Conforme a avaliação do especialista, o clube só ficaria sujeito a medidas mais severas pelo mecanismo de reincidência após passar por três janelas de transferências sem resolver as dívidas que motivaram as restrições.
Portanto, comparar diretamente a situação do Cruzeiro em 2020 com a realidade atual do Peixe, sem considerar as mudanças nas normas, pode levar a conclusões equivocadas.
Dívidas do Santos ultrapassam R$ 15 milhões em quatro condenações
As quatro condenações ainda em aberto envolvendo Pedro Caixinha e integrantes de sua comissão técnica somam mais de R$ 15 milhões, considerando juros, multas e correções monetárias.
A diretoria do Santos trabalha para obter recursos e regularizar os compromissos financeiros. Ao mesmo tempo, argumenta que o clube também possui valores a receber de outras equipes do futebol brasileiro. Segundo os cálculos apresentados pela gestão, esses créditos chegam a R$ 170 milhões.
A existência de valores a receber, porém, não elimina as obrigações já reconhecidas nos processos. Para resolver as restrições, o Santos precisa cumprir os pagamentos exigidos e atender às determinações correspondentes.
O desafio está em organizar o fluxo de recursos para quitar os débitos sem comprometer ainda mais o planejamento financeiro e esportivo.
Como o Santos conseguiu liberar contratações anteriormente?
Em agosto, o clube conseguiu resolver uma pendência de R$ 12 milhões com o Monaco, medida necessária para retirar um transfer ban e avançar na inscrição de reforços. O dinheiro utilizado veio de uma negociação com a empresa de Neymar.
O episódio mostra que a diretoria já recorreu a alternativas financeiras para superar restrições e viabilizar movimentações no mercado. A estratégia, contudo, precisa ser acompanhada de soluções para as demais dívidas, evitando que novas sanções comprometam futuras contratações.
Qual é o próximo passo para o Santos?
O cenário exige que o clube continue buscando recursos para cumprir as decisões pendentes e acompanhe a atualização das sanções já pagas. A retirada dos três transfer bans relacionados a débitos quitados representa um avanço, mas não encerra o problema.
Por enquanto, o Santos não perde pontos automaticamente por acumular transfer bans. A possibilidade de punições mais graves depende das regras da Fifa, do andamento de cada processo e do eventual descumprimento prolongado das obrigações.
A prioridade da diretoria é regularizar as pendências financeiras, reduzir as restrições para registrar jogadores e evitar que a situação evolua para consequências esportivas mais severas. Até que haja novas decisões oficiais, qualquer previsão sobre perda de pontos deve ser tratada com cautela.










