Na noite da última segunda-feira (04), o Santos voltou a vencer no Campeonato Brasileiro Série A 2025 ao bater o Juventude por 3 a 1, no Morumbis, em São Paulo. A vitória foi construída com dois gols de Neymar, principal nome da partida e esperança santista para o restante da temporada. No entanto, apesar do placar positivo e do alívio momentâneo, a performance coletiva da equipe e algumas decisões do técnico Cleber Xavier continuam sob escrutínio.
O triunfo dá respiro ao time e, principalmente, ao comandante, que estava bastante pressionado após resultados negativos recentes. Ainda assim, o desempenho apresentou falhas preocupantes, especialmente na transição defensiva, que podem custar caro nas próximas rodadas da competição.
Neymar brilha e comanda a vitória
O nome do jogo, mais uma vez, foi Neymar. Em sua quinta partida seguida jogando os 90 minutos, Neymar, o camisa 10 mostrou evolução física e decisiva técnica. Marcou dois gols, criou boas oportunidades e foi o diferencial de um Santos que, embora superior tecnicamente, ainda comete erros em momentos cruciais da partida.
Com Neymar inspirado no primeiro tempo, o Peixe dominou a posse e construiu boas tramas ofensivas, sobretudo com Rollheiser e Barreal atuando com profundidade e velocidade pelos lados do campo. A movimentação do trio ofensivo deu muito trabalho à defesa do Juventude, que, apesar de tentar se fechar, não conseguiu impedir a construção dos lances de gol.
O craque ainda teve a chance de marcar o terceiro dele na partida, mas desperdiçou uma grande chance cara a cara no segundo tempo. Mesmo com o erro, sua atuação foi determinante para garantir os três pontos.
Cleber Xavier respira, mas decisões continuam questionáveis
Apesar do resultado positivo, Cleber Xavier não saiu ileso das críticas. Algumas de suas substituições foram, no mínimo, curiosas. O treinador optou por tirar Rollheiser, que vinha sendo um dos destaques da partida com boa construção ofensiva, logo no intervalo. Em seu lugar, entrou Mayke, que acabou dividindo o lado direito com Igor Vinicius, o que confundiu a movimentação e prejudicou o fluxo ofensivo do time naquela faixa do campo.
Posteriormente, com a entrada de Caballero, Mayke pôde atuar como lateral-direito de forma mais eficiente, mas o time já havia perdido volume ofensivo naquele setor.
Além disso, a opção por Gil na zaga, no lugar de João Basso, também foi alvo de críticas. O experiente defensor fez uma partida abaixo, mostrando lentidão nos duelos e falhando em coberturas importantes. Já no meio-campo, a escolha de João Schmidt no lugar de Tomás Rincón resultou em uma queda de intensidade e de qualidade na transição defensiva, um problema recorrente no Santos de Cleber Xavier.
Defesa continua sendo o calcanhar de Aquiles
Mesmo vencendo com o gol de Neymar, o Santos voltou a ser vazado — agora são 22 gols sofridos em 17 rodadas. A zaga santista apresenta fragilidade nos duelos diretos e lentidão na recomposição, especialmente nas jogadas de contra-ataque. O Juventude chegou a assustar em algumas ocasiões e só não foi mais eficiente por falhas próprias no último passe e pela boa atuação do goleiro Gabriel Brazão.
O time da Vila Belmiro tem mostrado dificuldade para manter o controle do jogo quando não está com a bola, o que torna qualquer vantagem no placar instável. Contra adversários mais qualificados, esse tipo de oscilação pode comprometer o resultado.
Juventude inofensivo e afundado na crise
O Juventude, por sua vez, mostrou uma das razões pelas quais ocupa a parte inferior da tabela. Apesar de ter tentado sair mais para o jogo, sobretudo no segundo tempo, a equipe de Roger Machado peca nas finalizações e tem um setor ofensivo pouco criativo. O gol marcado não refletiu uma pressão constante, mas sim um erro de marcação da defesa santista.
A equipe gaúcha segue sem vencer nas últimas quatro rodadas e vê sua situação na competição se complicar cada vez mais. Com uma defesa exposta e um ataque pouco efetivo, o Juventude precisa de mudanças urgentes se quiser sonhar em permanecer na elite do futebol brasileiro.
Neymar em evolução física e técnica
Além da importância técnica de Neymar para o Santos, a partida desta segunda-feira serviu como mais uma prova de sua recuperação física. Após anos de lesões e atuações intermitentes, o atacante vem mostrando consistência, atuando cinco jogos consecutivos por 90 minutos.
Essa sequência é fundamental não apenas para o Santos, que deposita nele a esperança de dias melhores, mas também para o próprio Neymar, que ainda sonha em retornar à Seleção Brasileira com protagonismo. Se continuar nesse ritmo, é difícil ignorar sua presença em futuras convocações.
O futuro próximo do Santos
Com a vitória, o Santos ganha tranquilidade para trabalhar durante a semana. O time agora se prepara para enfrentar o Cruzeiro, fora de casa, no próximo domingo, em Belo Horizonte. O confronto será mais um teste importante, pois o adversário ocupa a parte de cima da tabela e tem se mostrado competitivo no Mineirão.
Na sequência, o Peixe volta ao Morumbis para encarar o Vasco, em um confronto direto na luta para se afastar do Z-4. A expectativa é de que Cleber Xavier utilize esse intervalo para corrigir os problemas táticos da equipe, especialmente no sistema defensivo e nas tomadas de decisão ao longo do jogo.
A permanência de Cleber ainda está em cheque
Embora a vitória tenha garantido uma sobrevida ao técnico Cleber Xavier, a pressão nos bastidores não cessou por completo. Fontes ligadas à diretoria apontam que parte dos dirigentes segue insatisfeita com o rendimento da equipe, mesmo com os três pontos conquistados.
O resultado contra o Juventude adia qualquer possível troca, mas os próximos dois jogos — contra Cruzeiro e Vasco — podem definir de forma definitiva o futuro do treinador à frente do Santos.
vitória importante, mas com alertas ligados
O 3 a 1 sobre o Juventude foi fundamental para aliviar a tensão na Vila Belmiro, mas a atuação deixou claro que o Santos ainda está longe de encontrar a estabilidade necessária para brigar por objetivos maiores no Campeonato Brasileiro.
Com Neymar em ascensão, o time tem um trunfo raro, mas precisa evoluir coletivamente para não depender exclusivamente do camisa 10. A defesa vulnerável, a transição lenta e decisões questionáveis da comissão técnica ainda preocupam.
A torcida comemora com Neymar, mas sabe: o caminho para a recuperação total ainda será longo.










